Tâo abstrata a idéia do te ser Que me vem de te olhar, que , ao entreter Os meus olhos nos teus, peco-os de vista, E nada fica em meu olhar, e dista Teu corpo do meu ver tão longemente, E a idéia do teu ser fica tão rente Ao meu pensar olhar- te , e ao saber-me Sabendo que tu és, que , só por ter-me Consciente de ti, nem a mim sinto, E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto A ilusão da sensação, e sonho, Não te vendo, nem vendo , nem sabendo Que te vejo, ou sequer que sou , risonho Do inferior crepúsculo tristonho Em que sinto que sonho o que me sinto sendo. F PEssoa

Escrito por Bárbara Paz às 11:15
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