BÁRBARA Lembra-te Bárbara Chovia sem parar em Brest, aquele dia E você andava sorridente, alegre, deslumbrada, molhada debaixo da chuva. Lembra-te Bárbara chovia sem parar em Brest E eu encontrei você na rua da Siam Você sorria... e eu sorria também. Lembra-te Bárbara Você que eu não conhecia Você que não me conhecia Lembra-te Bárbara Lembra-te daquele dia Não esqueça Um homem que se abrigava numa estrada e ele gritou teu nome: Bárbara! E você correu ao encontro dele molhada, deslumbrada, feliz E você se jogou no braço dele Lembra-te disso Bárbara. E não me queira mal, se falo “você” Eu digo “você” a todas as pessoas que amo. Mesmo se eu as vi apenas uma vez. eu digo “você’ a todos que se amam Mesmo se eu não os conheço Lembra-te Bárbara Não esqueça esta chuva calma e feliz sobre teu rosto feliz aquela chuva sobre o mar sobre o quartel
Que babaquice a guerra onde você está agora debaixo dessa chuva de ferro fogo, ácido e sangue E aquele que te abraçava amorosamente será que está morto ou desaparecido ou talvez vivo. Oh Bárbara Chove sem parar em Brest Como chovia antes Mas não é mais a mesma coisa, está tudo estragado E uma chuva de luta, terrível e dissolado. Não é mais o temporal de ferro e sangue São simplesmente nuvens Que morrem como cachorros dos cachorros que desaparecem no rumo da água sobre Brest e vão apodrecer longe muito longe de Brest da qual não sobra nada.
Jaques prevért

Escrito por Bárbara Paz às 14:29
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