O meu olhar é nítido como um Girassol, Tenho costume de andar pelas estradas Olhando para a direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial que tem uma criança se, ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para eterna novidade do Mundo... Creio no mundo como num malmequer, POrque o vejo. Mas não penso nele Porque pensar é não compreender... O mundo não se fez para pensarmos nele ( pensar é estar doente dos olhos) Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... Eu não tenho filosofias: tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porqeu saiba o que ela é, Mas porque a amo, e amo-a por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem sabe por que ama, nem o que é amar..... Amar é a eterna inocência, E a única inocência não pensar... Fernando Pessoa ( Alberto Caeiro)
foto- Roger Engelmann
Escrito por Bárbara Paz às 23:10
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